O Brasil apresenta um quadro contraditório no combate às desigualdades. Segundo o Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, o país avançou em 34 dos 48 indicadores estudados (71%), com destaque para melhoria de renda média, expansão do mercado de trabalho, redução da pobreza e maior segurança alimentar. Índices de saúde, como a queda da desnutrição infantil, e de educação, com redução do analfabetismo, também evoluíram positivamente.
Mas nem tudo avança. Oito indicadores pioraram significativamente: a remuneração das mulheres continua menor que a dos homens, a concentração de renda se agravou, e a tributação favorece os mais ricos. Além disso, a população negra enfrenta condições mais desfavoráveis, e as disparidades sociais se concentram no Norte e Nordeste. “O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”, aponta o relatório.
Os especialistas alertam que esses números escondem uma realidade complexa. Betina Ferraz Barbosa, coordenadora de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, ressalta que “os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo tempo, profundamente desiguais”. Para a diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, os principais mecanismos de reprodução das desigualdades seguem intactos, apesar das melhoras registradas em outras áreas.
Com informações da Agência Brasil.


