Cultura

Angeli, o revolucionário dos quadrinhos brasileiros, completa 70 anos

O cartunista paulista Arnaldo Angeli Filho, criador de ícones como Bob Cuspe e Rê Bordosa, celebra uma década de vida marcada por inovação e irreverência nos quadrinhos nacionais. Com personagens que retratavam tipos urbanos controversos, Angeli quebrou paradigmas e influenciou gerações de artistas.

Nesta segunda-feira (31), Arnaldo Angeli Filho, um dos maiores cartunistas do Brasil, completa 70 anos de idade. O paulistano da Casa Verde conquistou seu lugar na história dos quadrinhos nacionais ao criar personagens memoráveis com traço cru e ácido: do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada Rê Bordosa, passando pelos gêmeos politicamente incorretos Skrotinhos e pelos hippies atemporais Wood & Stock. O contato na adolescência com as obras de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim foi decisivo para sua trajetória como cartunista.

Angeli iniciou sua carreira profissional nos anos 70 fazendo charges para a Folha de S.Paulo e logo depois criou a tira diária “Chiclete com Banana”, que se transformou numa revista independente. Foi nesse espaço que surgiram os Los 3 Amigos, criados em parceria com Glauco e Laerte, consolidando seu papel como inovador. O cartunista revolucionou os quadrinhos brasileiros ao romper com a tradição mais engajada politicamente, trazendo a estética do rock e do punk para suas histórias. Adão Iturrusgarai, que se juntou ao grupo, destaca a influência profunda: “O Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20. Ele quebrou com a tradição do quadrinho mais sisudo. Daí veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock”.

Rê Bordosa tornou-se sua personagem mais famosa, ganhando voz da atriz Grace Gianoukas em adaptações para cinema e séries de animação. Mesmo diante do sucesso, Angeli não hesitou em matar a personagem em 1987, trazendo à vida Os Skrotinhos, seus próximos favoritos. O cineasta Otto Guerra, diretor de “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, ressalta a relevância atemporal: “A Rê Bordosa é um tapa na cara das pessoas que fingem coisas. Ela era muito autêntica. Grande personagem. Grande Angeli”. Cronista que traduziu em imagens as peculiaridades da metrópole e seus tipos urbanos com traço único, Angeli se aposentou em 2022 após diagnóstico de afasia, posteriormente confirmada como demência frontotemporal.

Com informações da Agência Brasil.

Veja também