O Brasil tem cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A imensa maioria atua por conta própria, com jornadas semanais mais longas que os demais ocupados no setor privado e recebendo menos por hora trabalhada. Esses trabalhadores, classificados como “plataformizados”, representam 1,9% do total de ocupados no país.
Do contingente de 1,96 milhão de plataformizados, 1,2 milhão utiliza apps de transporte de passageiros (58,9%), sendo 1,1 milhão em plataformas como Uber e 99. Entregadores de apps de comida e produtos somam 376 mil pessoas (19,2%), enquanto profissionais de serviços gerais, como designers, tradutores e consultores que atuam via plataformas digitais, chegam a 313 mil (16%). A pesquisa revela crescimento significativo: comparando apenas trabalhadores com apps como ocupação principal, o número saltou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, representando expansão de 36,8% em três anos. Os entregadores lideraram o crescimento, com alta de 18,6% em apenas um ano.
Apesar de auferir rendimento mensal médio de R$ 3.147—similar aos não plataformizados (R$ 3.148)—os trabalhadores de apps enfrentam condições mais precárias. Trabalham 44,7 horas semanais contra 39,3 horas dos demais, resultando em ganho-hora de R$ 16,2, sendo 12% inferior ao dos não plataformizados (R$ 18,4/hora). A informalidade atinge 72,1% dos plataformizados, enquanto apenas 34% possuem cobertura previdenciária, números bastante superiores aos 42,7% de informalidade e 63% de cobertura entre não plataformizados. O IBGE também aponta que, apesar de 86,8% se declararem conta própria, esses trabalhadores vivenciam dependência significativa das plataformas: entre motoristas, 80,2% afirmam que o valor das tarifas é totalmente definido pelas empresas, e 71,3% não têm autonomia sobre a forma de recebimento.
Com informações da Agência Brasil.




