Movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos, com manifestações simultâneas em mais de 50 cidades brasileiras. O lema ‘Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!’ orientou as reivindicações de integrantes de coletivos que buscam colocar em pauta as demandas de população historicamente marginalizada: moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do SUS, enfrentamento do feminicídio e da violência contra mulheres, combate ao racismo e LGBTfobia, além do fim da escala 6×1.
Em São Paulo, os manifestantes ocuparam o centro da cidade e encerraram as atividades com missa na Catedral da Sé dedicada à população em situação de rua. Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, afirmou que a liberdade plena só será alcançada quando não houver mais pessoas vivendo nas ruas do país. No Rio de Janeiro, o ato cruzou a Avenida Presidente Vargas e ganhou contornos diferenciados com a participação da Escola de Teatro Popular, que encenou esquetes sobre soberania nacional e democracia. Julian Boal, coordenador do grupo e filho do criador do Teatro do Oprimido, explicou que a presença na manifestação visava ampliar o alcance do movimento e reforçar que a participação democrática vai além das eleições. Brasília, por sua vez, foi palco de apresentação de carta de compromisso com a ecologia integral, estruturada em quatro eixos temáticos que abrangem políticas agrícolas, urbanas e de proteção ambiental.
Para participantes como Deuza Cordeiro de Lima, cuja filho foi morto pela polícia em 2023, e Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos, as ruas representam espaço de denúncia das injustiças que atingem os segmentos mais vulneráveis. Os organizadores ressaltam que mobilizar a população excluída exige estrutura financeira para custear transporte e alimentação—recurso escasso quando comparado ao poder de mobilização do setor com maior poder econômico.
Com informações da Agência Brasil.


