Ceará

Fiação subterrânea no Ceará: custo impede expansão no Estado

Substituição de redes aéreas por enterradas enfrenta barreira econômica. Investimento pode custar 10 vezes mais que sistema tradicional.

A substituição de redes elétricas aéreas por fiação subterrânea no Ceará enfrenta um obstáculo significativo: o custo elevado da operação. Segundo a Enel Distribuição Ceará, enterrar a fiação pode custar até 10 vezes mais do que manter o sistema aéreo equivalente, inviabilizando a expansão para todo o Estado.

A distribuidora afirma que o enterramento integral da rede em todo o território cearense não é viável técnica nem economicamente no momento. “Qualquer custo de investimentos deve ser alinhado com as iniciativas governamentais, a fim de evitar que haja impacto tarifário”, destacou a empresa em nota.

As intervenções dependem de programas governamentais para equacionar os custos, evitando que os investimentos gerem aumento na conta de luz dos consumidores. Isso porque os aportes realizados pelas distribuidoras compõem a base de remuneração e são incorporados gradualmente às tarifas de energia.

Fortaleza lidera transição até 2034

A capital cearense possui um programa de transição da fiação aérea para subterrânea, com previsão de internalizar toda a rede elétrica até 2034. A prioridade são regiões centrais, históricas e turísticas da cidade.

O Governo do Ceará, através da Secretaria da Infraestrutura, também desenvolve projetos de internalização da fiação elétrica, focando na segurança, melhoria do espaço urbano e redução da poluição visual.

Obras em andamento no Estado

Em Barbalha, as intervenções no centro histórico estão com 80% de execução e devem ser concluídas em março de 2027. A obra prevê a substituição por 10 mil metros de fiação subterrânea e retirada de 245 postes, com investimento de R$ 15,4 milhões.

Na capital, a internalização da fiação no Polo Gastronômico da Varjota recebeu investimento de R$ 2,1 milhões e deve ser finalizada em 2027, com a retirada de 96 postes das ruas Frederico Borges e Ana Bilhar.

Já a Avenida Desembargador Moreira recebeu mais de dois mil metros de redes subterrâneas e teve 68 postes removidos, com investimento de R$ 715 mil. Os recursos integram o Programa de Investimentos Especiais em Energia Elétrica (PIE).

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Situação no Brasil

Apenas 0,4% da rede de distribuição de energia elétrica no Brasil é subterrânea, segundo dados da Aneel. A agência abriu consulta pública em agosto para avaliar a adoção de metas que estimulem as concessionárias a fazer a troca de suas infraestruturas.

A Aneel destaca que, caso determine o avanço no uso dessas redes com metas de transferência, o investimento será repassado em grande medida para a tarifa de energia. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), os benefícios do enterramento tendem a compensar os investimentos a longo prazo, mas não necessariamente em todos os locais.

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Redação Se Liga Fortal
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