Saúde

Polilaminina entra em fase de testes clínicos com esperança de recuperação para lesionados da medula

A farmacêutica Cristália inicia neste mês os testes clínicos fase 1 com a polilaminina, substância que promete auxiliar pessoas com lesão medular a recuperarem movimentos. O estudo recrutará cinco pacientes voluntários em hospitais de São Paulo.

A polilaminina, medicamento desenvolvido pela farmacêutica Cristália em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entra em sua primeira fase de testes clínicos a partir do dia 24 deste mês. A substância desperta esperança para milhares de pessoas com lesão na medula espinhal, apresentando potencial para recuperação de movimentos perdidos após traumas.

Neste início dos estudos, cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, serão recrutados para receber a polilaminina. O objetivo primário é comprovar a segurança da substância em humanos, garantindo que os benefícios superam os riscos. Os testes serão realizados no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, sob rigoroso protocolo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os candidatos devem apresentar lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, ocasionada por trauma com menos de 72 horas de evolução, e necessidade de cirurgia para descompressão. Após o procedimento cirúrgico de aplicação da substância diretamente na medula, os pacientes receberão reabilitação na AACD e acompanhamento de seis meses pela equipe de pesquisa.

A polilaminina é uma proteína sintetizada em laboratório baseada na laminina, proteína natural do corpo humano essencial para a transmissão de sinais no sistema nervoso. A descoberta é resultado de mais de 20 anos de pesquisa da professora Tatiana Sampaio, da UFRJ. Um estudo-piloto realizado entre 2016 e 2021 com oito pacientes mostrou resultados promissores, sendo que cinco recuperados apresentaram ganhos motores, embora ainda não seja possível confirmar se estes são resultados diretos da polilaminina. Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa e Inovação da Cristália, reafirma o compromisso da empresa com o rigor científico: “Trabalhamos em total alinhamento com a Anvisa, sempre com o objetivo de proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia”.

Se bem-sucedida na fase 1, a substância poderá avançar para as fases 2 e 3 de testes clínicos, onde serão avaliadas sua eficácia e superioridade em relação aos tratamentos disponíveis atualmente. Apenas após conclusão de todas as fases, o medicamento poderá ser registrado e disponibilizado à população.

Com informações da Agência Brasil.

Veja também