O governo federal criou nesta sexta-feira (25) a terceira fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, por meio de medida provisória. A novidade marca uma mudança significativa em relação às etapas anteriores: agora a União atuará diretamente na compra de carteiras de dívidas inadimplidas em leilões, repassando integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas duas primeiras fases, as negociações ocorriam diretamente entre credores e devedores, sem participação do governo.
O novo programa abrange dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito, com inadimplência entre 720 e 1.645 dias. O funcionamento é simples: a União participa de leilões para adquirir as carteiras, os credores apresentam propostas com deságios, e o desconto mínimo exigido é de 90%. Se uma dívida de R$ 10 mil for adquirida com esse desconto, o consumidor negociará apenas R$ 1 mil. O devedor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo, com condições a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, beneficiando até 15 milhões de pessoas, com custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras. Os leilões devem ser publicados em novembro de 2026, com o repasse dos descontos aos devedores iniciando em fevereiro de 2027. Dados do Tesouro Nacional mostram a dimensão do problema: em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, afetando 83,9 milhões de pessoas negativadas, a maioria mulheres.
Com informações da Agência Brasil.




