Saúde

Da solidão ao fortalecimento: pacientes com alopecia areata recontam jornada para recuperar autoestima

Histórias de pessoas que convivem com a alopecia areata, doença autoimune que afeta 2% da população mundial, mostram a importância do apoio emocional e da aceitação da diferença. Grupos de apoio e terapia têm sido fundamentais para que pacientes ressignifiquem a relação com a própria aparência.

A alopecia areata é uma doença autoimune imprevisível que afeta cerca de 2% da população mundial. Caracterizada pelo ataque do organismo ao folículo piloso, provoca episódios de queda de cabelo que podem ocorrer em qualquer fase da vida, muitas vezes de forma cíclica. A condição manifesta-se de três formas: queda em pequenas áreas do couro cabeludo, perda total dos cabelos (alopecia areata total) ou perda de todos os pelos do corpo (alopecia areata universal). O diagnóstico é realizado unicamente através do exame clínico, sem necessidade de testes laboratoriais ou de imagem.

Ainda que frequentemente associada a fatores emocionais e possuidora de componente genético, a dermatologista Enilde Borges Costa, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta que focar exclusivamente no estresse como causa provoca culpa nos pacientes. A doença pode ser desencadeada por infecções, outras condições autoimunes ou situações de estresse intenso, mas não é considerada psicossomática. Beatriz Santos, revisora de livros que convive com alopecia desde 2008, compartilha que descobriu a primeira falha em um salão de beleza aos 15 anos. Após vivenciar tratamentos com corticoides que resultaram em osteopenia aos 17 anos, decidiu interromper a medicação. Em 2012, perdeu todo o cabelo e desenvolveu alopecia areata universal.

O caminho para a recuperação da autoestima tem passado pelo apoio emocional e pela aceitação. A dermatologista Enilde criou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), que se reúne mensalmente em São Paulo e mantém comunidade ativa no WhatsApp. Juliana Fernandes, que convive com alopecia universal há mais de 20 anos, ressalta que quatro anos de terapia contínua foram fundamentais para sua ressignificação. “Me olho no espelho e me acho normal”, afirma. Paloma Monteiro da Lava, mãe do pequeno Levi de 5 anos, criou a campanha “Eu sou mais que aparência” nas redes sociais para conscientizar sobre a doença e fortalecer a autoestima do filho. Essas histórias demonstram que, embora a alopecia areata seja uma condição permanente para muitos, desenvolver uma vida rica em outros aspectos e contar com suporte emocional adequado permite que pacientes vivam plenamente, sem que a aparência defina suas possibilidades.

Com informações da Agência Brasil.

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