O Quilombo Urbano Ferreira Diniz, localizado na Glória, zona sul do Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro quilombo urbano do estado a ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A comunidade, formada por 14 famílias descendentes de africanos escravizados, resiste à especulação imobiliária do bairro através de suas práticas culturais e coletivas, transformando-se numa “ilha verde” em meio aos arranha-céus.
Desde a década de 1950, as famílias Ferreira e Diniz ocupam casarões antigos no terreno, onde desenvolvem atividades comunitárias e culturais. O destaque é a feijoada preparada por Maria Aparecida Ferreira, a Tia Cida, que funciona como polo gastronômico e fonte de renda para a comunidade. Servida às sextas-feiras no quintal repleto de árvores frutíferas, a iguaria atrai cariocas e turistas interessados em conhecer a história e a resistência da comunidade. Além disso, o espaço recebe festas religiosas, rodas de capoeira e celebrações que reforçam os laços coletivos.
O tombamento pelo Iphan cumpre funções jurídica, territorial, simbólica e reparatória, protegendo a comunidade de demolições e descaracterizações, ao reconhecer a relevância histórica da presença negra no território urbano. A comunidade espera que o reconhecimento impulsione a regularização fundiária junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), possibilitando acesso a programas de reforma do casarão principal e garantindo a permanência das famílias no local. Segundo estudiosos envolvidos no processo, o quilombo oferece lições valiosas sobre a formação do Brasil e apresenta um modo de vida coletivo diferente do individualismo dos condomínios fechados, reafirmando o papel inestimável da população negra na construção nacional.
Com informações da Agência Brasil.


