Fortaleza viveu madrugada de terror na noite de 9 de setembro, quando pelo menos quatro estabelecimentos religiosos foram alvo de ataques com coquetel molotov. Uma loja de artigos católicos foi atingida com uma ameaça escrita em cartaz: “Se reabrir, todos morrem”. No mesmo período, fachadas de outros três comércios religiosos também foram incendiadas na capital cearense, incluindo um templo de umbanda. A Polícia Civil investiga os casos que ganham dimensão nacional.
Os incidentes em Fortaleza não são isolados. Uma semana antes, em Londrina (Paraná), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi arrancada de uma loja de artigos religiosos. Dois dias depois, em Salvador, a imagem de Nossa Senhora das Graças foi quebrada, seguida pela destruição da imagem de Santa Dulce dos Pobres dias depois. A série de ataques levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a determinar investigação da Polícia Federal sobre a disseminação desses crimes pelo país. Segundo o Disque 100, entre janeiro e junho de 2026 foram registradas 1.252 denúncias de intolerância religiosa. Os praticantes de candomblé e umbanda, que representam apenas 1% da população brasileira, registraram 270 denúncias – alta de 40% em relação ao mesmo período de 2025. Entre católicos, as denúncias cresceram mais de 100%, passando de 15 para 34 casos.
Os crimes de intolerância religiosa no Brasil são graves e sem prazo de validade. O defensor público do Ceará, Igor Barreto, ressalta que são crimes insuscitíveis de fiança e indulto, além de imprescritíveis. A legislação prevê penas de um a cinco anos de reclusão e multa para quem pratica, induz ou incita atos de intolerância. Especialistas alertam que a religião tem sido instrumentalizada como estratégia política de exclusão, atingindo principalmente mulheres, população LGBTI+, povos indígenas e jovens negros de baixa renda, fenômeno que não se limita ao Brasil, mas se estende por toda a América Latina e Central.
Com informações da Agência Brasil.


