O Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, também conhecido como Praça da Paz, é reinaugurado nesta quinta-feira (5) no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. A instalação artística, criada pela artista Laura Taves com azulejos azuis e brancos, passa por revitalização três anos após sua inauguração em 2022, incluindo a restauração dos azulejos, jardins, além da instalação de bancos e velário. A obra agora homenageia 145 vítimas da violência, com 18 novos nomes adicionados.
O memorial está localizado em uma área estratégica entre as comunidades de Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, região marcada pela influência de facções criminosas rivais. Segundo dados da organização não governamental Redes da Maré, apenas as operações policiais deixaram 160 mortos no complexo entre 2016 e 2025. A iniciativa vai além de uma simples intervenção urbana: familiares das vítimas participam ativamente da pintura dos azulejos, transformando o espaço em ferramenta de mobilização comunitária e direito ao luto.
A pesquisadora Tainá Alvarenga, da Redes da Maré, destaca que o memorial representa tanto a resistência dos moradores quanto a violência enfrentada pela comunidade. “Quem também pinta os azulejos são familiares de vítimas. É um memorial que trabalha tanto essa ideia de intervenção urbana, mas também de mobilização comunitária”, explica.
Paralelamente à reinauguração, o Complexo da Maré realiza um seminário entre quinta e sábado (7) sobre caminhos para memória, justiça e reparação das vítimas. O evento marca a importância do direito ao luto das famílias e a reivindicação por melhorias nas políticas de segurança pública da região.
Com informações da Agência Brasil.


