Brasil

Combustíveis fósseis recebem 70% dos subsídios federais de energia, enquanto renováveis crescem

Estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos revela que o Brasil destinou R$ 54,12 bilhões em subsídios aos combustíveis fósseis em 2025, contra R$ 23,04 bilhões para fontes renováveis. Apesar do crescimento de 20,89% nos incentivos às energias limpas, especialistas alertam para a necessidade de reforma na política de subsídios.

O Brasil continua priorizando investimentos em combustíveis fósseis, mesmo diante da urgência climática global. Segundo a 9ª edição do Monitoramento dos Subsídios Federais às Fontes de Energia no Brasil, estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), mais de 70% dos subsídios federais ao setor energético foram destinados a petróleo, gás natural e carvão vegetal em 2025. Do total de R$ 77,16 bilhões investidos, R$ 54,12 bilhões alimentaram a indústria de combustíveis fósseis, enquanto apenas R$ 23,04 bilhões chegaram a fontes renováveis como energia solar, eólica e eletrificação de transportes. A proporção é desproporcionalmente favorável aos combustíveis poluentes: para cada real destinado a renováveis, R$ 2,35 vão para fósseis.

Embora ainda minoritários, os subsídios às energias limpas cresceram 20,89% em relação a 2024, refletindo uma lenta mudança de prioridades. O impulso veio principalmente dos incentivos à geração distribuída, que somaram R$ 14,71 bilhões (63,9% da fatia das renováveis), contemplando a instalação de painéis solares em residências e comércios. Contudo, pesquisadores apontam riscos: esses mecanismos podem transferir custos para consumidores que não têm acesso à geração própria, aprofundando desigualdades energéticas. A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), arcada pelos consumidores, cresceu 26,62% em 2025, arrecadando R$ 14,11 bilhões para financiar termoelétricas a diesel em sistemas isolados.

Especialistas do Inesc defendem uma reforma ordenada dos subsídios que combine expansão de fontes limpas com justiça distributiva e redução da pobreza energética. Segundo eles, é necessário reavaliar recursos públicos e reorientá-los para setores que enfrentam maiores desafios na transição energética. O Ministério da Fazenda, por sua vez, destaca medidas como a Lei dos Combustíveis do Futuro e o Plano de Transformação Ecológica, que pretendem mobilizar R$ 190 bilhões em investimentos sustentáveis e contribuir para uma distribuição mais equilibrada de subsídios.

Com informações da Agência Brasil.

Veja também