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Mulheres defendem união em rede como estratégia para ocupar espaços de poder

Durante conferência em Brasília, comunicadoras e profissionais do direito ressaltam a importância da articulação feminina para combater o machismo e ampliar participação de mulheres no Judiciário. Especialistas defendem que informação qualificada é fundamental para enfrentar desinformação e misoginia.

Profissionais da comunicação e do direito reunidas na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, em Brasília, defendem a articulação de redes de apoio feminino como estratégia decisiva para ampliar a participação de mulheres em espaços de poder e combater o machismo estrutural. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, ressaltou que a união entre mulheres é capaz de grandes transformações, citando como exemplo histórico o “lobby do batom” durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, quando deputadas e senadoras garantiram direitos fundamentais que perduram até hoje. Para Pellegrino, trabalhar em rede é uma estratégia de sobrevivência conhecida há séculos entre mulheres e funciona como antídoto contra a desinformação propagada por grupos radicais.

Advogadas e influenciadoras digitais presentes no evento destacam o papel transformador da informação qualificada no combate à misoginia e na conscientização de direitos. Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, defende que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado, mas precisa ser comunicado com objetividade e sem suavizações. Já Miriane Ferreira, com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, utiliza suas redes para descomplicar temas jurídicos e alertar mulheres sobre direitos patrimoniais muitas vezes negligenciados em separações conjugais. Ambas enfatizam a importância da solidariedade feminina para que as mulheres reconheçam seu poder e reiviniquem seus direitos.

Outras participantes alertam para limitações no sistema de justiça. Mayra Cotta, produtora da série “Afiadas” exibida na TV Brasil, observa que embora mulheres denunciem mais violações, enfrentam “massacre” pelo Judiciário, onde juízes frequentemente protegem assediadores e abusadores. Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, ressalta a importância de estimular participação feminina política ativa, enquanto a cineasta Fernanda Amim defende que histórias potentes abrem caminho para novas perspectivas no sistema jurídico criminal. O evento também destaca que 40% dos cargos vitalícios no Judiciário serão nomeados na próxima década, abrindo oportunidade histórica para maior representação feminina.

Com informações da Agência Brasil.

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