Pelo terceiro ano seguido, o Ceará conquistou a liderança nacional em alfabetização de crianças na idade certa. Com média de 84% de alfabetização, o Estado se consolida como referência em políticas públicas educacionais no país. Apesar do resultado expressivo, a realidade mostra que a batalha contra a desigualdade ainda está longe do fim.
Dos 184 municípios cearenses, enquanto 20 alcançaram a marca de 100% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, cinco não conseguiram atingir sequer 60% da meta estabelecida pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA). Entre os municípios com os piores desempenhos estão Juazeiro do Norte (55%), Icó (57%), Campos Sales (58%), Caucaia (58%) e Acopiara (59%) — dois deles entre as maiores cidades do Estado.
O desafio da equidade na sala de aula
O tema foi debatido no Seminário Nacional pela Alfabetização, realizado em Fortaleza na última semana. Para Veveu Arruda, diretor-presidente da Associação Bem Comum, promotora do evento, o caminho para a equidade passa pelo reconhecimento das diferenças. “Quando olhamos essa média a fundo, vemos ainda o desafio da equidade. Numa mesma sala, com a mesma professora, você tem crianças pré-leitoras, leitoras iniciantes e aquelas que são fluentes”, explicou.
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Diferente da igualdade — que trata todos da mesma forma —, a equidade reconhece que cada pessoa tem necessidades específicas e requer apoio diferenciado para alcançar resultados justos. Arruda defende que dados como os do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) são fundamentais para identificar defasagens. “Se você não enxerga isso, como é que você vai resolver? A avaliação assegura a visibilidade dessa desigualdade de aprendizado”, destacou.






