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EUA abrem audiências públicas para investigar práticas comerciais brasileiras

Os Estados Unidos realizam esta semana duas audiências públicas para investigar supostas práticas comerciais desleais do Brasil, incluindo análise de produtos que podem sofrer sobretaxa de 25%. O país rebate as acusações e argumenta que não há fundamentação legal para as medidas propostas

O Brasil enfrenta duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) nesta semana para investigar práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses norte-americanos. A primeira, que começou na segunda-feira (6) e termina hoje, analisa a proposta estadunidense de sobretaxar em 25% uma série de produtos brasileiros, abrangendo seis aspectos: comércio digital e Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A segunda audiência, que inicia hoje e se estende até quinta-feira (9), envolve 60 nações, incluindo o Brasil, e investiga supostas falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e exportação de bens produzidos com trabalho forçado.

Dezenas de entidades brasileiras e norte-americanas se inscreveram para participar das audiências, entre elas a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), Confederação Nacional da Indústria (CNI), União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Embraer. A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) argumenta que a sobretaxa prejudicaria empresas norte-americanas que dependem da matéria-prima brasileira, destacando que os EUA receberam US$ 795 milhões em exportações de rochas naturais do Brasil no ano passado, gerando empregos em diversos estados americanos.

O governo brasileiro já contestou oficialmente as conclusões preliminares do USTR, argumentando que as práticas comerciais brasileiras não prejudicam os EUA ou empresas norte-americanas. Em documento enviado ao escritório comercial, o Itamaraty afirmou que o USTR não estabelece o nexo legal exigido entre as políticas brasileiras e reais danos ao comércio americano, ressaltando que discordar das escolhas soberanas de outro país não é fundamentação suficiente para impor medidas unilaterais sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974.

Com informações da Agência Brasil.

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