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Grupo Arco-Íris cobra explicações sobre ausência de dados sobre crimes LGBTI+ no Rio

Organização enviou ofício à Polícia Civil do Rio cobrando informações sobre crimes motivados por LGBTIfobia que não constam no Anuário de Segurança Pública 2026. Cláudio Nascimento alerta que invisibilização de dados prejudica formulação de políticas públicas e representa retrocesso nos direitos humanos.

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ denunciou na terça-feira (28) a ausência total de dados oficiais sobre crimes motivados por LGBTIfobia no Rio de Janeiro no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. A organização encaminhou ofício à Secretaria de Estado de Polícia Civil e representação ao Ministério Público estadual, apontando que o Rio é o único estado que não registra informações sobre homofobia, transfobia, lesão corporal dolosa, homicídio doloso e estupro contra a população LGBTQIAPN+ nos anos de 2024 e 2025. Apesar da omissão fluminense, o Brasil registrou crescimento de 35,6% nesses casos em 2025, após o Supremo Tribunal Federal tipificar a LGBTIfobia como crime de racismo em 2019.

O presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, classificou como inaceitável a invisibilidade estatística que compromete o monitoramento da violência e a formulação de políticas públicas. Ele ressaltou que o último levantamento específico divulgado pela Polícia Civil foi em 2018, deixando quase uma década sem informações sistematizadas. Nascimento destacou ainda a descontinuidade das capacitações dos profissionais de segurança: entre 2000 e 2015, foram formados 12 mil policiais, mas não há programa robusto de formação continuada há mais de dez anos. A organização cobrou a implementação de mecanismos permanentes de coleta e divulgação de dados, além de um possível Termo de Ajustamento de Conduta.

Em resposta, o Instituto de Segurança Pública alegou que as tipificações da Polícia Civil não contemplam categoria específica para crimes contra LGBTI+ e que a análise individual de cada caso demanda esforço adicional. A Polícia Civil defendeu que todos os policiais recebem capacitação para atender cidadãos em vulnerabilidade e destacou a existência da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), além de representantes no Conselho dos Direitos da População LGBTI+ do estado. A Polícia Militar não se posicionou sobre as críticas até o fechamento da reportagem.

Com informações da Agência Brasil.

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