O Geledés – Instituto da Mulher Negra lançou nesta sexta-feira (25) o Guia de Acesso a Políticas de Cuidado, uma publicação que promete orientar milhões de brasileiras sobre seus direitos e como acessar políticas de Estado. O material trata de uma questão central para mulheres, majoritariamente negras e periféricas, que exercem trabalho de cuidado sem o devido amparo econômico e institucional.
Com linguagem simples e didática, o guia funciona como um manual prático que detalha os passos necessários para conseguir acesso às políticas públicas. Desde como abrir uma conta no portal sougov.br ou utilizar o SUS digital, até um resumo completo de todas as políticas direcionadas para cada população específica. A publicação reconhece que o trabalho de cuidado tem sido historicamente invisibilizado, exaustivo e desvalorizado no país.
O material está organizado em seções específicas para crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, trabalhadoras e trabalhadores do cuidado remunerado e não remunerado. Há também uma divisão dedicada a públicos em situação de vulnerabilidade, como mães-solo, famílias em extrema pobreza, pessoas privadas de liberdade, parentes de vítimas de feminicídio, populações indígenas, quilombolas e imigrantes. “Vamos celebrar as conquistas coletivas e refletir sobre os caminhos para o fortalecimento de políticas de cuidado que reconheçam as realidades, os saberes e as demandas das mulheres negras”, afirma Nilza Iraci, Coordenadora de Formação, Cuidado e Emancipação do Geledés.
A iniciativa surge num momento importante para o país. A Política Nacional de Cuidados foi sancionada em dezembro de 2024 e busca olhar de forma diferenciada para quem cuida, elaborando projetos como ampliação de creches e lares de acolhimento de idosos. Segundo a ONU Mulheres, mulheres brasileiras dedicam quase dez horas por semana a mais que os homens ao trabalho de cuidado – tempo que não sobra para estudar, trabalhar ou participar da vida pública. “A política de cuidado é também uma política de democracia”, destaca Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.
Com informações da Agência Brasil.


