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Unifesp encontra evidências de sangue e calendário gravado em antigo DOI-Codi de São Paulo

Pesquisadores da Unifesp identificaram resíduos compatíveis com sangue humano e um calendário gravado por prisioneiro no prédio 2-a do antigo DOI-Codi/SP, principal centro de repressão da ditadura militar. As descobertas combinaram técnicas de arqueologia, análise forense e testemunhos de ex-presos para documentar as atrocidades cometidas no local.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram resíduos compatíveis com sangue humano em áreas do antigo DOI-Codi de São Paulo, um dos principais centros de repressão durante a ditadura militar brasileira. A descoberta mais significativa ocorreu em uma antiga sala de interrogatório, denominada sala 7, onde um teste confirmatório apresentou resultado positivo para sangue humano. As análises também revelaram, sob sucessivas camadas de tinta e reparos, um calendário gravado na parede de um banheiro por alguém que esteve encarcerado no local.

O projeto interinstitucional, que envolveu universidades como Unicamp, UFMG, UFSC e USP, utilizou métodos inovadores que combinaram arqueologia, análise do edifício e técnicas das ciências forenses. Os pesquisadores selecionaram antigos espaços de interrogatório, uma possível enfermaria, uma sala de tortura e um banheiro para investigação. Embora as análises laboratoriais não permitissem determinar quando o material foi depositado nem recuperar perfis de DNA devido à degradação das amostras, o contexto arqueológico forneceu elementos que associam os achados ao período de funcionamento do DOI-Codi/SP. Segundo a coordenadora da pesquisa, Cláudia Plens, o calendário constitui uma marca material da experiência do encarceramento, com marcações que os pesquisadores conseguiram datar em 1970 através do cruzamento com testemunho de uma ex-presa política.

Localizado na Rua Tutóia, na zona sul de São Paulo, o complexo do DOI-Codi/SP abrigava celas, salas de interrogatório, espaços administrativos e ambientes de tortura. Pelo menos 52 mortes oficialmente reconhecidas ocorreram no local, que recebeu mais de 7 mil pessoas durante seu período de funcionamento. O prédio 2-a, onde as pesquisas se concentraram, foi identificado por sobreviventes como um dos principais espaços de interrogatório e tortura do complexo. A primeira etapa do projeto, realizada em 2022, utilizou radar de penetração no solo e escaneamento tridimensional; em agosto de 2023 foram conduzidas escavações, prospecção nas paredes e análises forenses. Os edifícios, como ressaltou a pesquisadora, funcionam como documentos vivos: paredes, pisos, reformas e inscrições constituem evidências que revelam as transformações históricas e os vestígios de atrocidades cometidas.

Com informações da Agência Brasil.

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