O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disparou críticas contra empresas de pequeno e médio porte que pressionam para utilizar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em suas operações de captação de varejo. Segundo Galípolo, essas instituições não bancárias buscam autorização para atuar como bancos, com as mesmas proteções do fundo, mas não possuem ativos suficientes para tal responsabilidade. “Esse é um comportamento que não é desejável e deve ser coibido pelos reguladores”, afirmou o chefe da autoridade monetária.
O problema central apontado por Galípolo reside na competição desleal criada por essas empresas de intermediação. Elas operam com regras mais flexíveis, prazos maiores e menor exigência de garantias em comparação aos bancos, criando um ambiente de concorrência desequilibrado. “Bancos são negócios falíveis que precisam tomar dinheiro emprestado mais barato do que emprestam”, explicou, destacando a importância do FGC como instrumento de estabilização do sistema financeiro diante desses riscos inerentes.
As observações foram feitas durante a comemoração dos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e fortalecer a estabilidade após o Plano Real. O fundo provou sua relevância em momentos críticos, como na crise de 2008, e recentemente enfrentou desafios com as fraudes do Banco Master, quando precisou reembolsar aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cerca de 1,6 milhão de credores. Atualmente, o FGC garante depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por pessoa física ou jurídica, com teto global de R$ 1 milhão em quatro anos.
No mesmo evento, foi inaugurada a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que funcionará até 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, em São Paulo. A mostra apresenta a história e a evolução do fundo ao longo de três décadas, explicando seu funcionamento e impactos na economia brasileira.
Com informações da Agência Brasil.


