O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou nesta sexta-feira (14) a aprovação do embaixador indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Brasília ao resultado das eleições de outubro. Durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, Lula também criticou duramente as tentativas de interferência do governo norte-americano em questões internas do Brasil. “Ouvi dizer que eles queriam mandar duas pessoas para vir estudar as urnas, e nós não demos o visto. Agora, querem que eu apressadamente aceite o embaixador deles. Mas, agora, só depois das eleições”, declarou.
O chefe do Executivo questionou o timing da indicação, ressaltando que os Estados Unidos levaram um ano e meio sem indicar um embaixador para o país. “Se o embaixador dos EUA é importante para o Brasil, por que ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador? E por que só agora, faltando 45 dias para as eleições, querem mandar?”, indagou. Apesar da firmeza nas críticas, Lula deixou claro que não deseja conflito e busca manter relações respeitosas com Washington. “Não precisamos brigar. Quero discutir as questões com seriedade. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos”, afirmou.
Ao abordar as tensões recentes com a administração Trump, Lula sugeriu que as medidas contra o Brasil não partem diretamente do presidente americano, mas de membros da sua equipe, particularmente do secretário de Estado Marco Rubio. No campo comercial, o presidente reafirmou a disposição brasileira em se defender, citando a aplicação da Lei de Reciprocidade contra as tarifas impostas ao país. “Ontem entramos com a Lei de Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa, e que nós nos respeitamos”, assegurou Lula, que se declarou preparado para defender os interesses nacionais em qualquer circunstância.
Com informações da Agência Brasil.




