A violência contra povos indígenas no Brasil atingiu patamares alarmantes em 2025. Dados divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta quinta-feira (13) apontam 258 indígenas assassinados durante o ano passado – um aumento de 22% em relação aos 211 casos registrados em 2024. Os estados de Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37) concentram a maioria dos homicídios, segundo informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e Sesai.
O Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil evidencia crescimento em três tipos de violência: contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do Poder Público. A insegurança enfrentada pelos indígenas resulta em ataques ligados à luta pela terra, aumentando vulnerabilidade e mantendo invasões de territórios. Casos emblemáticos marcaram 2025: em janeiro, quatro Avá-Guarani foram baleados no Paraná; em março, o Pataxó Vitor Braz foi morto na Bahia; e em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes faleceu no Mato Grosso do Sul – todos em contextos de demarcação de terras.
Além dos assassinatos, o relatório registra 215 suicídios indígenas em 2025 (7 acima de 2024), com concentração entre jovens de 20 a 29 anos (41%). A mortalidade infantil também preocupa: 1.024 óbitos de crianças até 4 anos, sendo 57% por causas evitáveis como gripe, doenças infecciosas e desnutrição. A omissão do Estado também se reflete em 366 registros de desassistência nas áreas de saúde, educação e infraestrutura básica. O Cimi ressalta que o impasse jurídico sobre a Lei do Marco Temporal agrava a paralisia nas demarcações, enquanto pressões econômicas por mineração, exploração de gás e petróleo intensificam conflitos territoriais.
Com informações da Agência Brasil.


