A Amazônia funciona como uma infraestrutura hídrica silenciosa e essencial para milhões de pessoas na América do Sul. O mecanismo é simples: a umidade do oceano gera chuva sobre a floresta, que é absorvida pelas árvores e devolvida à atmosfera em forma de vapor. O vento então espalha esse vapor pelo continente, provocando chuvas em diversas regiões. Uma árvore adulta na Amazônia pode liberar entre 200 e 300 litros de água diariamente. Imagine 400 bilhões delas trabalhando juntas: são os chamados “rios voadores”, segundo destacam os cientistas dedicados ao estudo do bioma.
Porém, a devastação da floresta já está afetando esse sistema crítico. Desmatamento, queimadas, mineração e narcotráfico comprometem a conectividade amazônica. Os efeitos são mensuráveis: regiões do Brasil e Bolívia enfrentam redução de chuvas, enquanto áreas desmatadas registram aumento de temperatura e secas mais intensas e prolongadas. Na borda sul da Amazônia, pesquisadores observam que as árvores estão à beira do colapso hidráulico, com suas “cordas” internas sendo tensionadas além do limite pela falta de água no solo. Se esse processo se repetir constantemente, as árvores literalmente morrem de sede.
Em 2024, a pior seca da história amazônica afetou 88% da bacia, causando desabastecimento de água em Bogotá e Quito, cidades fora da floresta. Os incêndios recordes que se seguiram se espalharam pelo país inteiro, atingindo até a Região Sudeste. Agora, com a previsão de um super El Niño tão ou mais intenso quanto o anterior, cientistas alertam para um risco iminente: a Amazônia deixaria de funcionar como sumidouro de carbono e se transformaria em emissor, acelerando o aquecimento global. A solução, segundo especialistas, passa pela redução drástica de emissões de gases poluentes, investimento em conectividade ecológica e restauração das áreas desmatadas. Caso contrário, a perda total dessa conectividade seria catastrófica para todo o planeta.
Com informações da Agência Brasil.


