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Bordados inacabados e inteligência artificial: Regina Silveira reflete sobre criatividade humana em novo evento em Brasília

O Sesi Lab de Brasília recebe a instalação “Bordaduras” da artista Regina Silveira, que convida à reflexão sobre a memória dos bordados e o papel da inteligência artificial na criação artística. O 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia reúne 41 artistas para debater a intersecção entre arte e inovação tecnológica.

A instalação “Bordaduras”, da renomada artista plástica Regina Silveira, abriu suas portas ao público nesta terça-feira (15) no Sesi Lab, em Brasília. A obra consiste em um vinil adesivo de 530 metros quadrados estampado sobre os vidros do museu, exibindo agulhas e bordados em ponto de cruz inacabados que despertam reflexões profundas sobre criatividade, feminismo e tecnologia.

O trabalho tocou especialmente o coração de Kaliane Martins, agente de portaria do museu, que aprendeu a bordar com a mãe e avó. “Vi as agulhas da obra e me fez recordar. Nunca foi fácil costurar cada dia de batalha”, relatou em entrevista. Regina Silveira contextualiza que historicamente os bordados estavam ligados à alfabetização feminina durante o Pré-Renascimento, quando mulheres bordavam letras em enxovais. A artista concebe sua obra como feminista por natureza, com viés provocador e político que questiona os objetos do cotidiano.

Ao lado da instalação, painéis de LED exibem “Dígito”, criação de Regina Silveira dos anos 1980. A artista participa como palestrante do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que segue até domingo (20) no Sesi Lab e Museu Nacional de Brasília com 41 artistas de diferentes regiões. Para Regina, a inteligência artificial não deve ser vista com pessimismo, mas como ferramenta de expansão que não substitui a invenção humana: “IA pode ajudar, mas não pode criar ou pensar. Invenção é própria do cérebro humano”.

A coordenadora do evento, Suzete Venturelli, ressalta que nada substitui a criatividade humana e que é essencial educar para o bom uso das tecnologias generativas. “A obra de arte deve alfinete a sociedade, inclusive as tecnologias”, pontua. O encontro também destaca palestras sobre ancestralidade indígena, tecnologias sociais na música africana e tecno diversidade, consolidando o debate sobre como arte e inovação podem dialogar sem perder a essência criativa humana.

Com informações da Agência Brasil.

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