A instalação “Bordaduras”, da renomada artista plástica Regina Silveira, abriu suas portas ao público nesta terça-feira (15) no Sesi Lab, em Brasília. A obra consiste em um vinil adesivo de 530 metros quadrados estampado sobre os vidros do museu, exibindo agulhas e bordados em ponto de cruz inacabados que despertam reflexões profundas sobre criatividade, feminismo e tecnologia.
O trabalho tocou especialmente o coração de Kaliane Martins, agente de portaria do museu, que aprendeu a bordar com a mãe e avó. “Vi as agulhas da obra e me fez recordar. Nunca foi fácil costurar cada dia de batalha”, relatou em entrevista. Regina Silveira contextualiza que historicamente os bordados estavam ligados à alfabetização feminina durante o Pré-Renascimento, quando mulheres bordavam letras em enxovais. A artista concebe sua obra como feminista por natureza, com viés provocador e político que questiona os objetos do cotidiano.
Ao lado da instalação, painéis de LED exibem “Dígito”, criação de Regina Silveira dos anos 1980. A artista participa como palestrante do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que segue até domingo (20) no Sesi Lab e Museu Nacional de Brasília com 41 artistas de diferentes regiões. Para Regina, a inteligência artificial não deve ser vista com pessimismo, mas como ferramenta de expansão que não substitui a invenção humana: “IA pode ajudar, mas não pode criar ou pensar. Invenção é própria do cérebro humano”.
A coordenadora do evento, Suzete Venturelli, ressalta que nada substitui a criatividade humana e que é essencial educar para o bom uso das tecnologias generativas. “A obra de arte deve alfinete a sociedade, inclusive as tecnologias”, pontua. O encontro também destaca palestras sobre ancestralidade indígena, tecnologias sociais na música africana e tecno diversidade, consolidando o debate sobre como arte e inovação podem dialogar sem perder a essência criativa humana.
Com informações da Agência Brasil.


