A China intensifica sua estratégia de conectar povos através da relação com os grandes rios do mundo. Na 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing, especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países se reuniram para discutir a preservação e desenvolvimento sustentável de importantes afluentes como o Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi. O evento, com tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, integra a Iniciativa para a Civilização Global lançada pelo presidente Xi Jinping em 2023, que busca promover valores comuns da humanidade por meio da cooperação internacional.
O Brasil participou do encontro com destaque, representado por pesquisadores como Vera Maria Ferreira da Silva, especialista em biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA). Durante o fórum, foi realizado um cruzeiro de 440 quilômetros pelo Yangtzé, visitando templos e fortalezas milenares, enquanto estudiosos chineses apresentavam pesquisas revelando que a agricultura de arroz na região data de quase 10 mil anos. Especialistas egípcios também compartilharam modelos de medição das águas do Nilo para antecipação de secas e enchentes, demonstrando a importância do intercâmbio de conhecimentos para proteção dos rios e comunidades que dependem deles.
Os pesquisadores brasileiros presentes alertam para a necessidade de o Brasil aprender com a experiência chinesa, evitando erros ambientais. A China, reconhecidamente, perseguiu caminhos “tortuosos” durante seu desenvolvimento acelerado, resultando na extinção do golfinho Baiji em 2006 e graves danos ao Yangtzé. Contudo, mudanças significativas ocorreram: a proibição da pesca profissional já dura dez anos e projetos de recuperação avançam. Vera Maria enfatiza que a Amazônia necessita de economias sustentáveis baseadas em produtos como açaí e castanha-do-Brasil, evitando atividades destrutivas como a dragagem. Uma produção documentária chinesa intitulada “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas” está em desenvolvimento para registrar histórias de povos ribeirinhos dos dois continentes.
Com informações da Agência Brasil.


