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Anistia Internacional vai denunciar Milei à ONU por ataques a jornalistas na Argentina

A organização internacional anunciou que levará denúncia contra o presidente argentino Javier Milei aos órgãos de direitos humanos. A medida foi motivada por declarações hostis e xingamentos contra profissionais de imprensa que realizaram reportagens investigativas.

A Anistia Internacional anunciou que vai denunciar o presidente argentino Javier Milei à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por hostilidade sistemática contra jornalistas. A decisão foi motivada por declarações agressivas do mandatário na última semana, quando xingou profissionais que produziram reportagens investigativas e afirmou que eles deveriam “queimar na fogueira”. As declarações ocorreram após a Justiça argentina arquivar o caso conhecido como “criptogate”, que investigava a participação do presidente e sua irmã, Karina Milei, em um esquema envolvendo a criptomoeda $Libra.

Milei citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio, desqualificando-os como “empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”. Em publicações nas redes sociais, o presidente classificou os profissionais como “subornados” e afirmou ser vítima de “tremenda operação política e midiática” com “fins políticos de conspiração golpista”. Para a Anistia Internacional, as declarações violentas aprofundam o assédio à imprensa, colocam em risco quem informa e deterioram as garantias do debate democrático. A organização considera que a expressão “queimar na fogueira” evoca violência extrema e constitui uma “escalada grave e inadmissível”.

O cenário é alarmante: dados do Fórum de Jornalismo Argentino registraram 278 casos de ataques contra jornalistas em 2025, representando aumento de 55% em relação a 2024 e o maior número desde 2008. Milei foi identificado como autor de 119 desses episódios. A Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa e a Federação Internacional dos Jornalistas também se juntaram ao repúdio, alertando que os ataques criam clima de intimidação que favorece autocensura e compromete funções essenciais da democracia. Recentemente, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., crítico do governo Milei, foi impedido de entrar na Argentina e teve sua residência permanente cancelada com proibição de reingresso por cinco anos.

Com informações da Agência Brasil.

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