Faleceu na madrugada desta quarta-feira (26), em Salvador, o poeta e jornalista Luis Turiba, aos 76 anos. O escritor morreu em casa vítima de complicações graves de saúde. Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra extensa que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, vídeo-documentários e parcerias musicais, como a letra de “Bico da Torre”, gravada por Zélia Duncan e Célia Porto.
Nascido em Recife em 1950, Turiba mudou-se jovem para o Rio de Janeiro, onde se tornou militante do movimento estudantil. Durante a ditadura civil-militar, foi preso aos 18 anos por participação em “atividades subversivas” e sofreu torturas físicas e psicológicas em órgãos de repressão. Anos depois, em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu sua perseguição política e o Estado brasileiro ofereceu desculpas formais.
Com carreira bem-sucedida como repórter, Turiba trabalhou na revista Manchete e nos jornais O Globo e Gazeta Mercantil, ganhando dois prêmios Esso regionais. Em 1979, mudou-se para Brasília como correspondente, onde se consolidou como uma figura central da cena cultural. Entre 1985 e 2022, editou a revista Bric-a-Brac, publicação inovadora que entrevistou intelectuais como Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Manoel de Barros, extrapolando os limites do Distrito Federal. O poeta Nicolas Behr destacou que a revista entrou para a história das publicações literárias brasileiras por sua inovação gráfica e editorial.
Conhecido como um “agitador cultural” e participante do movimento artístico Concerto Cabeças, Turiba também atuou como assessor do Ministério da Cultura antes de se aposentar nos anos 2010. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal o homenageou como “ícone inestimável” da imprensa e cultura local, além de Cidadão Brasiliense. Amigos promovem encontro em sua homenagem neste sábado (29) no bar Beirute, em Brasília, para celebrar seus poemas.
Com informações da Agência Brasil.




