Nesta segunda-feira (14), a Rádio Nacional marca oficialmente seus 90 anos de trajetória ininterrupta na comunicação brasileira. A emissora, que começou suas transmissões em 12 de setembro de 1936 no Rio de Janeiro, consolidou-se como um dos principais pilares da radiodifusão pública nacional e protagonista na história da cultura do Brasil. Seu legado segue vivo na programação de rádio e televisão, alcançando desde as capitais até as regiões mais remotas do país com informação, cultura, música, serviços e conteúdo popular.
Originária como emissora privada, a Rádio Nacional foi estatizada pelo presidente Getúlio Vargas na década de 1940, recebendo investimentos significativos em transmissores e programação que a transformaram em campeã de audiência. A emissora revolucionou a comunicação ao se tornar a primeira de massa a falar para os brasileiros de forma abrangente, especialmente importante numa época em que a maioria da população vivia na zona rural e não sabia ler. Introduziu formatos inovadores como radionovelas, radioteatro, transmissões esportivas e programas de auditório que atraíram multidões de fãs e consagraram artistas como Emilinha Borba, Marlene e Cauby Peixoto. A historiadora Lia Calabre ressalta que “a Rádio Nacional já traz um desenho profissional diferente”, sendo pioneira em contratos exclusivos e na formação de seu próprio elenco de vozes.
Atualmente integrada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) desde 2007, a Rádio Nacional expandiu-se para sete emissoras principais nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul, reforçando seu compromisso com a radiodifusão pública. Seu acervo histórico, reconhecido pela Unesco com o certificado Memória do Mundo, preserva roteiros originais da primeira radionovela brasileira “Em busca da Felicidade” (1941-1943) e fichas de artistas e funcionários que marcaram época. Programas como “Viva Maria”, com 45 anos no ar e focado na valorização do universo feminino, exemplificam como a emissora acompanha as transformações sociais do país. Para o diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, a Rádio Nacional segue como pilar fundamental para fomentar a radiodifusão pública, com jornalismo independente e conteúdo que estimule a formação crítica das pessoas.
Com informações da Agência Brasil.




