Economia

Prêmio Nobel de Economia refuta catastrofismo sobre IA e desemprego

Christopher Pissarides, vencedor do Nobel de Economia em 2010, argumenta que o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho é menor do que divulgado pela mídia. O economista alerta, porém, para a concentração de riqueza e precarização salarial em setores imunes à automação.

O temor de desemprego em massa causado pela Inteligência Artificial não se confirma nos dados reais da economia, segundo o Nobel de Economia 2010, Christopher Pissarides. Durante a 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory, realizada no Rio de Janeiro, o especialista em dinâmica do mercado de trabalho afirmou que a IA funciona muito mais como ferramenta de assistência ao trabalhador do que como substituta de mão de obra. “Há poucos exemplos de aumento de desemprego que ganham publicidade, especialmente em empresas de tecnologia. Mas olhando o quadro geral da macroeconomia, essas coisas são muito, muito pequenas”, declarou o economista.

Pissarides destacou que em setores tradicionais, como construção civil, há expansão da demanda e surgimento de novos empregos em segurança, manutenção, robótica e análise de dados. Pesquisas do Nobel também revelaram que profissões ligadas à educação e cuidado humano, como professores e enfermeiros, não registraram mudanças drásticas nas habilidades exigidas após uma década, enquanto profissionais da tecnologia enfrentam maior urgência de aprendizado contínuo.

O economista expressa, porém, preocupação com a distribuição geográfica e financeira dos ganhos. Segundo seus dados, cerca de 60% dos investimentos em IA concentram-se em grandes metrópoles e polos de elite, criando divisão econômica regional severa. Além disso, setores imunes à automação, como hotelaria e enfermagem, enfrentam risco de estagnação salarial por não apresentarem ganhos de produtividade via algoritmos. “O maior desafio é garantir que sejam bem pagos. Dependem de dinheiro do governo, e se ele não tiver recursos, não serão pagos”, avaliou Pissarides. O Nobel defendeu uma reforma educacional que combine ciências exatas com humanidades, permitindo aos trabalhadores “aprender a aprender” para sobreviver à era da IA.

Com informações da Agência Brasil.

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