Nas eleições de outubro, 2,1 milhões de eleitores que vivem nas 1.724 favelas do Rio de Janeiro terão oportunidade de votar. Desses, 1,3 milhão mora na capital fluminense, em áreas que enfrentam desafios históricos de urbanização, saneamento e acesso a serviços básicos. Segundo dados do IBGE de 2022, essas comunidades sofrem com menor cobertura de água, esgoto e coleta de lixo, refletindo a desigualdade na presença estatal.
Jovens moradores consultados pela reportagem revelam prioridades claras: educação de qualidade, cursos técnicos e profissionalizantes, melhoria na mobilidade urbana e políticas de saúde. Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, ativista do Complexo do Alemão, enfatiza a necessidade de acesso à cidade inteira, criticando a ausência de linhas de ônibus que conectem periferias à zona sul. Ela também aponta a falta de recursos para programas como Jovem Aprendiz, onde “R$ 20 não pagam nem uma quentinha”. Já a jornalista Isabelle Trindade, moradora da Rocinha, cobra pelo fim da escala 6×1, argumentando que a rotina prejudica trabalho, família e estudo.
O racismo estrutural também preocupa moradores: 70% da população das favelas cariocas é negra, conforme o IBGE. Pesquisadores e ativistas denunciam abordagens policiais desproporcional contra jovens negros, racismo ambiental e violência obstétrica contra mulheres pretas. Simultaneamente, a segurança pública permanece como questão crítica, porém com significado distinto: moradores denunciam operações policiais que fecham escolas e serviços públicos, com balas que atingem inocentes. O educador Bruno Rafael critica candidatos que pregam confronto como solução, argumentando que políticas de qualidade de vida seriam medidas mais eficientes contra a criminalidade.
Professores e pesquisadores alertam para a importância de ouvir lideranças locais e evitar relações clientelistas em época eleitoral. A professora Eblin Farage, especialista em favelas pela UFRJ, ressalta que cada comunidade possui especificidades que não permitem homogeneização de políticas. Ela observa que eleitores de favelas têm apostado mais em diálogos com deputados estaduais e federais do que com cargos executivos, devido a históricos de promessas não cumpridas.
Com informações da Agência Brasil.




