A segunda edição da Febre de Arte, realizada em Fortaleza, reuniu especialistas e ativistas que convocaram o público a eleger políticos com clareza sobre políticas de drogas e justiça social. No palco do Anfiteatro Sérgio Motta, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, todos os participantes enfatizaram a importância do voto consciente para construir propostas viáveis e efetivas que atendam à população.
A médica de família Magda Almeida, docente da Universidade Federal do Ceará, criticou a redução ideológica sobre o tema e alertou sobre os efeitos colaterais de medicamentos como a pregabalina, prescrita para ansiedade e fibromialgia, quadros que poderiam ser tratados com cannabis. A pesquisa da Blis Data aponta que mulheres mais velhas e empregadas são as principais consumidoras de cannabis medicinal no Brasil, buscando alívio para distúrbios do sono e dor crônica. Dados do Lenad III confirmam que o uso de cannabis dobrou entre adultos e adolescentes entre 2012 e 2023, com 54% dos usuários consumindo diariamente.
Os painéis também abordaram os impactos sociais da proibição: seletividade policial, encarceramento em massa da população negra e expansão do crime organizado. Pesquisa do Datafolha revelou que 68,7 milhões de brasileiros convivem com facções ou milícias em suas portas, enquanto 40,1% sofreram violência nos últimos 12 meses. Advogados e ativistas, como Italo Coelho e Tamára Silva, denunciaram a contradição de pessoas serem presas por quantidades mínimas de cannabis enquanto a indústria farmacêutica vende o produto nas farmácias. Relatórios mostram que o encarceramento custa às famílias cerca de 70% de um salário mínimo por visita semanal, totalizando R$ 4,33 bilhões anuais. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima que os homicídios relacionados à proibição custam R$ 50 bilhões anuais ao país.
Com informações da Agência Brasil.




