A fumaça das queimadas e incêndios florestais no Amazonas representa uma ameaça crescente à saúde das populações indígenas, que enfrentam barreiras significativas para acessar serviços de saúde especializada. O alerta faz parte de um levantamento apresentado pelos pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que mapeou a concentração de poluentes atmosféricos e a distribuição de focos de incêndio no estado. O documento reúne dados sobre o material particulado fino (PM2.5), previsões de qualidade do ar e possíveis impactos da intensificação do El Niño nos próximos anos.
Nos primeiros dias de outubro, Manaus registrou episódios alarmantes de poluição atmosférica, com concentrações de PM2.5 muito acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas partículas, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e até alcançar a corrente sanguínea, estão associadas ao aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, incluindo asma, infarto e acidente vascular cerebral. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes são particularmente vulneráveis aos efeitos da exposição prolongada.
Nos territórios indígenas, os riscos são amplificados pelas desigualdades socioambientais, dificuldades de deslocamento e limitações de acesso à atenção especializada. Para enfrentar o desafio, a Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), desenvolve o Sistema AlertAr Saúde, uma ferramenta de monitoramento e previsão da qualidade do ar. O sistema integrará previsões de PM2.5, informações sobre focos de calor e incêndios, permitindo que os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) identifiquem antecipadamente situações críticas e implementem ações de vigilância e prevenção. Com informações da Agência Brasil.




