Saúde

A cada 72 segundos, um brasileiro morre por doença cardiovascular

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que doenças cardiovasculares matam 1.194 pessoas por dia no Brasil. Se a tendência se mantiver, o país pode registrar um aumento de 10,8% nas mortes até 2030.

As doenças cardiovasculares continuam sendo a maior causa de morte no Brasil. A cada 72 segundos, uma pessoa morre vítima de problemas no coração e vasos sanguíneos. Até o dia 16 de outubro deste ano, o país acumulava 318.945 óbitos, o que representa uma média de 1.194 mortes por dia, ou cerca de 50 por hora. Os números fazem parte do Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) que agora integra o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma lançada em parceria com a World Heart Federation (WHF).

As projeções são preocupantes. Caso as tendências dos últimos 20 anos se mantenham, o Brasil enfrentará um aumento de 10,8% nas mortes por doenças cardiovasculares até 2030, passando de 417.550 em 2024 para 462.573 em 2030. No entanto, segundo o cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma, esse cenário não é inevitável. “A previsão não determina exatamente qual será o patamar em 2030, principalmente se houver mudanças significativas na prevalência de fatores de risco, na ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento e na implantação de políticas públicas de prevenção”, pontua o médico.

Os dados também revelam uma boa notícia: nos últimos 20 anos, o Brasil já reduziu significativamente a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. Em 2024, a taxa era de 195 óbitos a cada 100 mil habitantes, representando uma queda de 36% em relação a 2000, quando era de 306,4 óbitos por 100 mil. Especialistas reforçam que intervenções como o controle da hipertensão e diabetes, redução do tabagismo, combate à obesidade e sedentarismo, além do atendimento rápido em casos de infarto e AVC, são fundamentais para alterar essa trajetória. Alagoas registra a maior taxa de mortalidade entre os estados, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes.

O novo Hub de Doenças Cardiovasculares foi apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia. A plataforma oferece dados epidemiológicos, séries históricas desde 2000 e projeções futuras, permitindo consultas por estado, sexo e faixa etária. O objetivo é facilitar o acesso a informações confiáveis sobre saúde cardiovascular para pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos e jornalistas.

Com informações da Agência Brasil.

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