Política

Spray de pimenta para mulheres é insuficiente sem políticas de segurança reais

Promotora de Justiça de São Paulo critica aprovação do projeto de lei que autoriza venda de spray de pimenta para mulheres, alertando que se trata de medida paliativa. Especialista aponta riscos de manuseio e defende que governo implemente políticas estruturadas de segurança pública.

O Senado aprovou a venda de spray de pimenta para mulheres acima de 18 anos como instrumento de defesa pessoal, mas especialistas alertam que a medida é apenas um paliativo. A crítica vem da promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e presidente do Instituto Pró-Vítima, Celeste Leite dos Santos, que classifica a iniciativa como “populismo penal” que gera falsa sensação de segurança sem enfrentar o problema de verdade.

Segundo a lei aprovada, mulheres poderão adquirir frascos de até 50 ml após apresentar documento com foto, comprovante de residência e certificado de antecedentes. Lojas credenciadas deverão registrar as compras e emitir nota fiscal. Porém, Celeste alerta para os riscos práticos do uso: disparado contra o vento, o produto volta contra a própria usuária; a menos de um metro de distância, o agressor pode tomar o spray; em ambientes fechados, pode atingir terceiros. Além disso, a promotora ressalta que o manuseio exige treinamento específico que o governo não obriga.

Outro ponto crítico é o risco legal: a mulher pode ser punida administrativamente com multas de um a dez salários mínimos, ou ainda responder na esfera civil e criminal se usar o spray de forma desproporcional. Para Celeste, medidas mais eficazes incluem postura segura na rua, técnicas de defesa pessoal e políticas públicas estruturadas. Ela finalizou criticando os Três Poderes: o Legislativo não avança em igualdade; o Judiciário revitimiza as vítimas; e o Executivo não implementa políticas de prevenção.

Com informações da Agência Brasil.

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