A escalada da guerra no Oriente Médio expõe o fracasso do memorando assinado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que já vitimou milhares de pessoas desde fevereiro. Os ataques americanos intensificaram-se contra infraestruturas iranianas, incluindo pontes, hospitais, usinas de dessalinização e instalações nucleares. Por sua vez, o Irã intensifica ofensivas contra bases militares americanas e alvos civis em países do Golfo como Jordânia, Bahrein e Kuwait.
Para especialistas consultados, o acordo foi uma estratégia diversionista de Washington. O major-general português Agostinho Costa argumenta que o presidente Donald Trump assinou o memorando apenas porque as reservas estratégicas de petróleo americanas estavam críticas, com duração prevista de apenas quatro semanas. “O acordo foi uma ficção, sem intenção de se cumprir”, afirma. Cumprir o memorando obrigaria os EUA a entregar o controle da rota marítima do Estreito de Ormuz ao Irã, comprometendo a hegemonia norte-americana na região.
O cientista político Ali Ramos destaca que os objetivos iniciais da guerra americanos — encerrar o programa nuclear iraniano, o programa balístico e o apoio a milícias — não estão sendo alcançados. Os EUA agora adotam uma estratégia de “guerra de terra arrasada”, atacando infraestruturas civis como fábricas de dessalinização. Contudo, essa abordagem apenas fortalece a legitimidade do regime iraniano. Agostinho Costa conclui que Washington demonstra não ter estratégia clara, repetindo campanhas aéreas ineficazes desde fevereiro, enquanto as capacidades ofensivas iranianas permanecem intactas.
Com informações da Agência Brasil.


