O Ceará enfrenta um aumento alarmante nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Entre 2024 e 2025, os benefícios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental saltaram de 12.081 para 13.597, um crescimento de 12,5%. O avanço é quase cinco vezes maior que o registrado nos afastamentos totais, que subiram apenas 2,7% no mesmo período.
Os dados do Ministério da Previdência Social (MPS) mostram que o total de benefícios por incapacidade temporária no Estado passou de 119.028 para 122.264. Em 2025, os transtornos mentais já representam 11% de todos os afastamentos no Ceará, contra 10% no ano anterior.
Prejuízo milionário para a economia cearense
O impacto financeiro é expressivo. O economista Thiago Holanda estima que os 13,6 mil trabalhadores afastados por problemas de saúde mental em 2025 representam uma perda de aproximadamente R$ 108 milhões para a economia cearense. A Previdência Social deve arcar com cerca de R$ 98 milhões em custos com benefícios. Se a tendência se mantiver, os valores podem dobrar em seis anos.
Os transtornos ansiosos lideram as causas de afastamento por saúde mental no Estado e aparecem como a quarta principal razão de concessão de benefícios por incapacidade temporária, considerando todas as doenças.
Presenteísmo pesa mais que ausências
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Além dos afastamentos diretos, há um custo invisível: o presenteísmo. Segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando o trabalhador permanece na ativa mas produz menos devido ao adoecimento, a perda de produtividade é quase três vezes maior que no absenteísmo.
Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando queda de produtividade de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões) anualmente. O cenário levanta uma questão urgente: quanto custa não investir em prevenção e cuidado com a saúde mental?






