A sequência de apagões e o volume crescente de reclamações sobre os serviços da Enel no Ceará têm levantado questionamentos sobre como funciona a fiscalização das distribuidoras de energia no estado. O processo envolve diferentes critérios técnicos e comerciais estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A concessão do serviço de energia no Ceará passou para a iniciativa privada em 1998, com a venda da antiga Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce). Desde então, a operação mudou de controlador algumas vezes até chegar à Enel Distribuição Ceará, que atualmente detém a concessão.
Indicadores de qualidade
A Aneel utiliza dois principais indicadores para medir a continuidade do fornecimento: a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC). Esses limites são estabelecidos pela agência e servem como base para avaliar o desempenho das distribuidoras em todo o país.
No ranking nacional de 2026, a Enel Ceará ficou na 23ª posição entre 33 concessionárias avaliadas, figurando próxima ao grupo das 10 piores empresas do levantamento. O desrespeito aos limites regulatórios por três anos consecutivos pode até comprometer a renovação da concessão.
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Fiscalização técnica e comercial
Além dos indicadores de interrupção, a fiscalização também considera aspectos comerciais, como prazos de atendimento ao consumidor e qualidade do teleatendimento. Na área técnica, a Aneel avalia manutenção das redes de distribuição, atendimento emergencial, projetos de expansão e operação do sistema.
A agência também realiza pesquisas de satisfação com os consumidores. No levantamento de 2025, a Enel Distribuição Ceará registrou índices abaixo das médias nacional e nordestina, reforçando as críticas sobre a qualidade do serviço prestado no estado.






