A simples disponibilidade de tecnologias como inteligência artificial e internet nas escolas não é suficiente para garantir uma educação de qualidade. É o que defende Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil e coordenadora da pesquisa TIC Educação. Segundo a especialista, é necessário repensar a inclusão digital para que seja não apenas significativa, mas também crítica. “Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, afirmou durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, realizado no Rio de Janeiro.
Dados apresentados por Daniela revelam um cenário complexo sobre o uso de tecnologias digitais no ambiente escolar. Enquanto há casos de sucesso, como na China, onde aulas gravadas em alta qualidade beneficiaram 100 milhões de estudantes rurais com melhora de 32% no desempenho, a presença de um simples celular provoca impacto negativo na aprendizagem em 14 países. No Brasil, 51% das escolas implementaram regras que proíbem os alunos de levar celular para a instituição, e 89% dos estudantes utilizam plataformas de vídeo como YouTube e TikTok para realizar pesquisas escolares, seguidas por buscadores como Google (88%). Apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmaram ter recebido orientações sobre os erros das inteligências artificiais.
Outra preocupação levantada pela educadora envolve a formação dos docentes. Entre 2021 e 2024, a proporção de professores que participaram de formação continuada sobre tecnologias digitais caiu de 65% para 54%. “É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou. Apesar dessa queda, os dados mostram que professores continuam sendo referências para os alunos: o percentual de estudantes que se informam sobre uso de tecnologias com docentes cresceu de 44% para 56% entre 2022 e 2024. Para Daniela, é fundamental que a sociedade invista no professor e educador como atores essenciais, sem os quais não há desenvolvimento integral dos estudantes.
Com informações da Agência Brasil.


