Saúde

Doença rara de Creutzfeldt-Jakob: o que é e sintomas

Influenciador Lito Sousa foi diagnosticado com DCJ, doença neurodegenerativa rara que afeta 1 a 2 pessoas por milhão ao ano.

Doença rara de Creutzfeldt-Jakob: o que é e sintomas
Doença rara de Creutzfeldt-Jakob: o que é e sintomas

O influenciador digital Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, recebeu diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), conforme revelou sua esposa Mila em vídeo publicado nesta sexta-feira (21). Aos 59 anos, ele já apresenta perda parcial da capacidade motora, embora mantenha a lucidez preservada.

A condição chama atenção pela extrema raridade: apenas 1 a 2 casos por milhão de habitantes surgem anualmente no mundo. A DCJ é uma doença neurodegenerativa causada por proteínas priônicas que mudam de formato no cérebro, levando à degeneração neural rápida.

Leia mais: fique por dentro das últimas notícias do Ceará, Brasil e do Mundo

Como a doença age no organismo

Segundo o neurologista Adalberto Studart, vice-coordenador do departamento científico de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia, a proteína príon existe naturalmente nos neurônios sem causar danos. O problema surge quando ela muda sua conformação estrutural.

“Quando a proteína priônica celular muda sua conformação, torna-se patogênica e desencadeia um processo de neurodegeneração de rápida progressão”, explica o especialista. Cristiano Aguzzoli, pesquisador do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), complementa que essa proteína modificada “contamina” outras ao redor, espalhando-se rapidamente pelo cérebro.

Sintomas e progressão

A evolução da DCJ costuma ser acelerada, geralmente em torno de seis meses. Os pacientes apresentam demência de progressão rápida, sintomas motores como abalos musculares (mioclonias), rigidez, incoordenação motora (ataxia) e alterações visuais complexas. Após alguns meses, a doença evolui para um estado de mutismo acinético, quando a pessoa para de falar, interagir e se movimentar.

Não existe cura. O tratamento foca em aliviar sintomas com antidepressivos, antipsicóticos para agitação, medicamentos para insônia e remédios específicos como levetiracetam e baclofeno. O acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia, fonoaudiologia e cuidados paliativos é fundamental.

Quatro tipos diferentes da doença

A DCJ se divide em quatro formas. A esporádica representa 85% dos casos e tem causa desconhecida. A genética corresponde a 15% e é hereditária. A forma iatrogênica é transmitida por procedimentos médicos, como uso de hormônio de crescimento de cadáveres ou instrumentos neurocirúrgicos contaminados.

Por fim, existe a variante da DCJ, associada ao consumo de carne bovina contaminada pela “doença da vaca louca”. Studart destaca que não há registro dessa variante no Brasil, e a doença não é transmitida por contato de pele, mucosas ou gotículas respiratórias.

Diagnóstico e exames

A suspeita surge diante de perda cognitiva muito rápida, alterações visuais complexas e sintomas motores. A ressonância magnética detecta alterações em mais de 90% dos casos. O exame mais confiável é o rt-QuIC, que identifica a proteína priônica no líquido cefalorraquidiano, mas ainda tem disponibilidade limitada e custo elevado no Brasil.

Estudos clínicos já testam medicações para reduzir a produção da proteína príon, mas a evolução rápida, baixa incidência e falta de exames precoces dificultam o desenvolvimento de tratamentos eficazes.

>>> acesse nosso instagram

Redação Se Liga Fortal
Redação Se Liga Fortal Redação

O Se Liga Fortal chega para contar as histórias que impactam a vida dos fortalezenses e dos cearenses, com uma cobertura dinâmica, plural e conectada às transformações da sociedade. Envie sua pauta para: redacao@seligafortal.com.br.

Nossa missão é produzir jornalismo de qualidade, com credibilidade, agilidade e compromisso com a informação, valorizando os fatos que movimentam Fortaleza, o Ceará e o Brasil.

Veja também