O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) criticou a falta de foco em políticas preventivas contra a violência infantil nas propostas eleitorais de candidatos à Presidência da República. Após analisar as plataformas de cinco candidatos, a organização constatou que a maioria apresenta medidas de resposta à violência, mas negligencia ações preventivas. O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, enfatiza que é fundamental “agir antes que a violência aconteça, por meio de políticas de educação e oportunidades para jovens, da assistência social, da saúde, do fortalecimento das famílias e de sistemas que identifiquem e referenciem situações de violência”.
Os números evidenciam a urgência do tema. Em 2024, foram registradas 2.079 mortes violentas de crianças e adolescentes no Brasil, equivalente a seis vítimas diárias. Segundo o Anuário de Segurança Pública 2025, o país contabilizou mais de 38 mil casos de maus tratos de menores no ambiente doméstico – mais do que o dobro do ano anterior – e 61 mil casos de estupro ou estupro de vulnerável. A maioria das vítimas é composta por adolescentes homens e negros, demonstrando desigualdades estruturais.
O Unicef propõe que os futuros governantes incluam a “parentalidade protetiva” em políticas de primeira infância, educação, trabalho e assistência social. A entidade também defende a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes que coordene diferentes áreas governamentais. Entre os candidatos analisados, o plano de Lula está mais voltado à prevenção da violência infantojuvenil, enquanto Flávio Bolsonaro e Romeu Zema enfatizam medidas punitivas. Ronaldo Caiado apresenta propostas intersetoriais de prevenção, e Renan Santos não menciona o tema de forma explícita. A organização também criticou a ausência de recortes específicos por raça, etnia, gênero e deficiência nas propostas, ignorando as vulnerabilidades diferenciadas de grupos específicos de crianças e adolescentes.
Com informações da Agência Brasil.


