O Ceará vai receber ainda em 2024 uma base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (ForSUS) em Fortaleza. A estrutura faz parte das ações do Governo Federal para enfrentar os impactos do fenômeno climático El Niño e terá equipes preparadas, viaturas e equipamentos para resposta rápida a desastres.
A informação foi detalhada durante a reunião virtual “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, realizada na segunda-feira (24). O encontro, conduzido pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, reuniu representantes de ministérios federais e gestores estaduais e municipais do Nordeste.
Leia mais: fique por dentro das últimas notícias do Ceará, Brasil e do Mundo
Bases no Nordeste e resposta em 12 horas
Fortaleza será uma das três cidades nordestinas a receber a base da ForSUS. Salvador já inaugurou a primeira unidade, enquanto Recife terá a terceira. O objetivo é descentralizar a estrutura e aproximar profissionais qualificados das regiões mais vulneráveis a eventos climáticos extremos.
Segundo Nilton Pereira Júnior, diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, a base cearense poderá atender emergências também no Maranhão e Piauí. “Ao invés de deslocar profissionais de Brasília ou do Sudeste, teremos uma equipe mínima em cidades estratégicas para responder em até 12 horas após um evento climático ou emergência sanitária”, explica.
Inicialmente, a base contará com cinco profissionais para gestão e articulação com Samu e Corpo de Bombeiros. Em situações de maior gravidade, voluntários cadastrados na Força Nacional poderão ser mobilizados. A previsão é que a estrutura seja inaugurada em novembro, em um prédio federal ainda a ser definido.
Centro de Inteligência já funciona em Fortaleza
Além da base da ForSUS, o Ceará ganhou um Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), que já opera desde julho. Instalado na Célula de Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, vinculada à SMS, o equipamento funciona como sistema integrado de inteligência em saúde.
A superintendente do Ministério da Saúde no Ceará, Kelly Arruda, informou que a equipe do CISC é multidisciplinar e inclui epidemiologista, cientista de dados, analistas geoespaciais e meteorologista. O centro monitora ondas de calor, chuvas intensas, inundações, secas e outros fenômenos climáticos extremos.
Na prática, o CISC identifica bairros vulneráveis, grupos de risco e serviços de saúde que podem ter maior demanda. Com isso, a rede assistencial consegue reorganizar leitos, reforçar plantões e priorizar triagens nas UPAs conforme os eventos climáticos.
Fortaleza escolhida por vulnerabilidade climática
A capital cearense foi selecionada por critérios de vulnerabilidade climática, capacidade institucional e relevância estratégica. Próxima à linha do Equador, Fortaleza pode ter temperatura média elevada com o El Niño. Dados históricos como o El Niño de 2015-2016, que causou seca severa no estado, reforçaram a decisão.
O Ministério da Saúde estima investimento de R$ 45 milhões como reforço orçamentário nacional para enfrentar os impactos do El Niño. No Ceará, mais de R$ 3,4 bilhões são aplicados em obras de segurança hídrica, incluindo duplicação do Eixão das Águas e barragens fronteiriças.
Até 31 de julho, foram entregues 37 mil cisternas no Ceará, de um total de 128 mil no Nordeste. Atualmente, 34 reservatórios do estado estão com capacidade acima de 90%, enquanto 33 estão abaixo de 30%. Cinco açudes estão em volume morto e apenas um está seco.






