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Perda gestacional deixa marcas emocionais que exigem cuidado profissional

Médicos e psiquiatras alertam sobre a importância de acolhimento especializado para mulheres que vivenciam perda gestacional, que afeta não só emocionalmente mas também pela queda hormonal. Profissionais de saúde defendem proatividade no atendimento para evitar depressão e luto patológico.

A perda gestacional é um evento traumático que vai muito além da dimensão física e emocional imediata. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o cuidado com a saúde mental das mulheres que vivenciam essa experiência ainda é negligenciado por familiares, profissionais de saúde e até pela sociedade. Em alerta durante o Setembro Amarelo, a instituição reforça que entre 15% e 20% das gestações não evoluem, e muitas dessas mulheres enfrentam o luto sozinhas, sem acolhimento adequado.

Os impactos psicológicos da perda gestacional são intensos e multifatoriais. Além dos sentimentos naturais de tristeza profunda, vazio e culpa, há componentes biológicos envolvidos: as alterações hormonais que caracterizaram a gravidez caem drasticamente, causando efeito semelhante a uma tensão pré-menstrual severa. Segundo a psiquiatra Andréa Cristina Galastri, essas mudanças hormonais combinadas à sensibilidade emocional da perda podem evoluir para quadros graves como depressão e luto patológico se não forem adequadamente acompanhados. Os profissionais enfatizam que sofrer intensamente nesse momento é uma reação humana esperada, mas quando persiste além de um mês, com perda de apetite, insônia contínua e choro persistente, é necessário intervenção especializada com psicoterapia e medicação.

Kalyane Ribeiro, que vivenciou a perda gestacional aos 32 anos em Manaus, encontrou força não apenas em atendimento profissional, mas também em comunidades online onde mulheres compartilham suas experiências. Aos 34 anos, ela criou uma página no TikTok e posteriormente escreveu o livro “Ainda me Sinto Mãe”, reunindo relatos de mulheres de diferentes idades e contextos. Para especialistas como Eduardo Felix Martins Santana, obstetra da Febrasgo, é fundamental que médicos sejam proativos no acolhimento, envolvendo equipes multidisciplinares, família e amigos. “Se formos esperar a paciente retornar deprimida ao consultório, vamos perder muita gente”, alerta. Quem passa por pensamentos suicidas pode buscar ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188, disponível 24 horas gratuitamente.

Com informações da Agência Brasil.

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