A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e responsável pelo filme Dark Horse (cinebiografia sobre Jair Bolsonaro), foram os principais alvos da operação.
Segundo investigações da PF, um projeto de R$ 1 milhão destinado por Frias ao ICB não foi executado conforme previsto. O projeto “Jovem Empreendedor” previa capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes em Pirassununga (SP), mas a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que as metas não foram atingidas. Outro projeto financiado, “Lutando pela Vida” (também de R$ 1 milhão), apresentou falhas graves na comprovação de execução, com insuficiência de documentos sobre a entrega de materiais e prestação de serviços. Os dois projetos totalizavam R$ 2 milhões em emendas do deputado. A investigação também identificou transferências suspeitas: R$ 700 mil repassados a empresas ligadas ao grupo do empresário Heric Dias, que posteriormente transferiu R$ 750 mil à produtora Go Up Entertainment, responsável pelas filmagens de Dark Horse.
Alem das irregularidades nas emendas, a PF questionou uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio Mario Frias (com recursos de sua conta pessoal) à Go Up Entertainment durante a produção do filme. A investigação apontou incompatibilidade dos repasses com os rendimentos declarados pelo deputado, cujo salário mensal é de R$ 44.008,52. A decisão de Flávio Dino, com 150 páginas, também proibiu Frias de deixar o país e de se comunicar com outros investigados. Em defesa, o deputado afirmou que as emendas eram públicas e transparentes, destinadas a projetos sociais e de letramento digital, e criticou a operação como “cortina de fumaça” em ano eleitoral.
Com informações da Agência Brasil.


