A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) transformou a forma como os brasileiros formalizam a intenção de ser doador. Desde o lançamento da plataforma em 2024, mais de 32 mil pessoas já utilizaram o serviço gratuito oferecido pelos cartórios de notas para registrar essa decisão de forma segura e digital. O procedimento chega em momento crucial, quando mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no país durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre doações.
O processo é simples e totalmente remoto. O interessado acessa a plataforma Aedo pelo e-Notariado, preenche seus dados pessoais e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento. Em seguida, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e manifestar o desejo de doar. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, consultável pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. A pessoa pode indicar especificamente quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar, além de revogar a autorização a qualquer momento, sem necessidade de comparecimento presencial.
Os dados mostram que São Paulo lidera com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). Apesar do crescimento, especialistas apontam que campanhas de divulgação precisam ser intensificadas. O grande desafio permanece a autorização familiar: no Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância dos familiares, mesmo com registro formal prévio. A taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, muitas vezes por desconhecimento da vontade do potencial doador. Por isso, especialistas enfatizam que registrar a decisão é tão importante quanto conversar sobre ela com a família, transformando a Aedo em ferramenta que formaliza e incentiva essas conversas essenciais.
Com informações da Agência Brasil.


