Um estudo do Unicef divulgado esta semana revelou que muitos pais e cuidadores no Brasil não consideram palmadas, tapas e chineladas como violência, mas sim como métodos legítimos de disciplina infantil. A pesquisa ouviu 214 pessoas em comunidades vulneráveis do Rio de Janeiro, Recife e Manaus, identificando uma visão distorcida sobre castigos corporais que prejudica o combate à violência contra crianças.
“As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência. Pelo contrário, elas distinguem a palmada do espancamento”, explica Luiza Teixeira, especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil. O diagnóstico mostrou que pais justificam os golpes argumentando que servem para “disciplinar” e “colocar a criança na linha”. Segundo a pesquisadora, o Brasil possui legislação avançada, como a Lei Menino Bernardo (Lei da Palmada), vigente há 12 anos, mas essa norma é pouco conhecida e interpretada à luz de costumes sociais que ainda legitimam a agressão como forma de educação.
Especialistas em desenvolvimento infantil alertam que crianças na primeira infância vivenciam emoções intensas mas carecem de recursos para autorregulação. Quando os pais recorrem à violência, a criança desenvolve comportamentos de submissão ou agressividade, naturalizando relações baseadas no medo. Psicólogos e pedagogos destacam a importância de acolher limites sem agressão, validando sentimentos enquanto estabelecem regras claras. O Unicef recomenda fortalecer a prevenção por meio de campanhas que dialoguem com realidades vulneráveis e capacitação de profissionais da rede de proteção para orientar famílias sobre disciplina não-violenta.
Com informações da Agência Brasil.


