A partir de 2027, o Congresso Nacional funcionará com uma composição parlamentar fortemente avessa às pautas de clima e meio ambiente. Dados do Observatório do Clima revelam que sete em cada dez legisladores que assumirão na 58ª Legislatura (2027-2031) apresentam convergência ambiental baixa ou muito baixa, colocando em risco políticas de proteção ambiental e enfrentamento da crise climática no país.
Segundo o índice de convergência ambiental elaborado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade, o Congresso Nacional registrará 68,9% de parlamentares com alinhamento inadequado às agendas socioambientais. No total, 409 congressistas ficam nas faixas baixa (35%) ou muito baixa (33,8%), enquanto apenas 185 (30,15%) estão alinhados com as demandas climáticas. No Senado, a situação é ainda mais crítica: 79% dos 81 senadores têm convergência ambiental baixa ou muito baixa.
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, alerta para os riscos desse cenário. Segundo ela, a composição pode resultar em enfraquecimento de órgãos ambientais, anistia a grileiros e diminuição da proteção às florestas e biomas brasileiros. O crescimento de partidos de extrema direita é apontado como responsável pela piora: o Partido Liberal cresceu de 15 para 28 cadeiras no Senado (34,6%) e de 98 para 121 na Câmara (23,6%), historicamente apresentando convergência ambiental muito baixa.
“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, destaca Suely Araújo. A análise utilizou dados da plataforma Farol Verde e fontes oficiais de Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos estaduais.
Com informações da Agência Brasil.


