A desinformação sobre vacinas segue ceifando vidas no Brasil. Dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) revelam que apenas 5% das crianças pequenas do país estão completamente protegidas com as três doses da vacina contra covid-19, apesar da disponibilidade do imunizante e dos estoques garantidos. O cenário alarmante reflete os ataques contra a vacina disseminados durante a pandemia, inclusive com participação de membros do governo federal da época. Em 2026, o país registrou mais de 1 mil internações e 25 óbitos de crianças e adolescentes por covid-19, sendo 15 deles menores de 2 anos.
Segundo Eder Gatti, diretor do PNI, a hesitação vacinal é o principal obstáculo para aumentar a cobertura. “O discurso antivacina é responsável por cada vacina de covid perdida. Essa cifra precisa ser colocada na mesa”, afirmou o gestor. Desde 2024, a vacina é recomendada no calendário básico aos 6, 7 e 9 meses de idade, podendo ser aplicada antes dos 5 anos. Contudo, a maior parte da população opta por não vacinar seus filhos baseando-se em alegações infundadas. O desafio se intensifica pela especificidade da vacina: os frascos são armazenados congelados e, após o descongelamento, têm validade de apenas dez semanas, gerando desperdício quando não utilizadas.
Para combater o ceticismo, Gatti enfatiza que a vacina contra covid-19 é a mais estudada da história, com mais de 20 mil trabalhos científicos comprovando sua eficácia e segurança. Entre as mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças durante a pandemia, não houve registros de óbito, e 92% das reações foram leves e esperadas. Pesquisa da Universidade de São Paulo demonstrou redução de 97% nos casos graves. Além disso, reações temidas como miocardite e trombose ocorrem em proporções muito maiores em pessoas contaminadas pela covid-19 do que em vacinadas. O diretor reforça que o Brasil deve recuperar a confiança na vacinação e preservar o PNI, que em mais de 50 anos trouxe resultados comprovados para a saúde pública nacional.
Com informações da Agência Brasil.




