Cultura

Vestido de Mãe Bernadete entra para acervo do Museu Nacional do Rio

O filho da ialorixá quilombola assassinada em 2023 doou uma indumentária da mãe ao Museu Nacional durante evento sobre memórias quilombolas. A peça representa a luta e ancestralidade da líder que dedicou 72 anos à defesa dos direitos humanos.

Uma indumentária branca com detalhes em azul que pertenceu à ialorixá Mãe Bernadete agora integra o acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro. A doação foi realizada por Jurandy Pacífico dos Santos, filho da liderança quilombola, durante a 3ª edição do Diálogos da Reconstrução, evento realizado na instituição localizada em São Cristóvão que discute memórias, saberes e patrimônios quilombolas.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023 no Quilombo Pitanga de Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, Bahia. Defensora dos direitos humanos e contra a expansão do tráfico nas comunidades quilombolas, ela dedicou 72 anos de vida à luta por seu povo. Para Jurandy, a doação representa muito mais que uma simples peça de roupa: é um resgate da memória ancestral e um reconhecimento histórico. “Aquela indumentária para a gente de comunidade quilombola é a questão de manter a memória de Mãe Bernadete viva”, afirmou em entrevista.

O Museu Nacional destaca que a iniciativa integra a proposta de reconhecer e preservar as memórias, saberes e práticas das comunidades quilombolas como patrimônios vivos. Para a instituição e seus parceiros – incluindo Unesco, UFRJ e Instituto Cultural Vale – a iniciativa contribui para a construção de um museu plural e democrático que valorize as histórias tradicionais. A peça agora contribuirá para que futuras gerações conheçam não apenas a trajetória de Mãe Bernadete, mas toda a história de resistência do povo quilombola no Brasil.

Com informações da Agência Brasil.

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