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Documentos históricos do antigo IML do Rio são resgatados de prédio abandonado na Lapa

Órgãos públicos e organizações de direitos humanos concluem nova etapa de recolhimento de acervo documental do Instituto Médico Legal carioca, que estava em condições precárias. Material inclui registros funcionais da polícia política do Estado Novo e laudos cadavéricos de 1965 a 1982.

Documentos históricos de importância nacional foram resgatados do antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), localizado na Lapa, região central do Rio de Janeiro. O Arquivo Público do Rio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e organizações de direitos humanos finalizaram mais uma etapa do recolhimento do acervo, em ação realizada na quarta-feira (23) e acompanhada pelo Ministério Público Federal. O trabalho contou com participação do Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação e do Programa Pró Memórias, do Instituto Galo da Manhã.

Foram transferidos documentos funcionais de agentes da antiga Delegacia Especial de Segurança Política e Social (Desps), órgão que atuou como polícia política durante o Estado Novo, além de microfilmes contendo laudos cadavéricos produzidos entre 1965 e 1982. O material amplia o conjunto de documentos retirados desde maio deste ano e pode contribuir significativamente para pesquisas sobre a estrutura da repressão estatal no período autoritário. Os microfilmes preservam registros periciais de quase duas décadas, fundamentais para a preservação da memória histórica do país.

O resgate atende decisões judiciais do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e sentença de março de 2026 que determinou a retirada e tratamento técnico de toda a documentação. “Cada etapa concluída representa avanço na proteção de um patrimônio documental indispensável para preservar a memória histórica do país e garantir o direito à verdade”, destacou o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo. Os documentos estavam armazenados em condições precárias, expostos à umidade, infiltrações, fezes de pombos e riscos de incêndio, aceleradas pela deterioração.

Com informações da Agência Brasil.

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