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Centenário de Moacir Santos: o maestro que uniu a ancestralidade afro-brasileira à erudição musical

Compositor, arranjador e maestro nascido no Sertão de Pernambuco há 100 anos, Moacir Santos criou uma obra singular ao fundir ritmos afro-brasileiros com o jazz, deixando legado de inovação musical ainda pouco reconhecido no Brasil. O artista faleceu em Los Angeles em 2006, mas segue inspirando gerações de músicos através de suas composições revolucionárias e contribuições para a música brasileira.

Moacir Santos completaria 100 anos neste dia 26 de julho. Compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, ele ficou conhecido por uma obra única que fusionava ritmos afro-brasileiros com elementos do jazz. Apesar de sua genialidade e influência, o artista ainda carece de maior reconhecimento no Brasil. Nascido no Sertão Pernambucano, na região de Serra Talhada, Moacir aprendeu a tocar instrumentos de banda marcial ainda criança e, na adolescência, percorreu o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares antes de chegar aos grandes centros urbanos.

A canção mais conhecida de Moacir é Nanã, que homenageia a orixá mais antiga das religiões afro-brasileiras. Originária da trilha sonora do filme Ganga Zumba, a música ganhou letra de Mário Telles e foi gravada por mais de cem artistas, incluindo nomes consagrados como Nara Leão, Sergio Mendes, Tim Maia e músicos de jazz internacionais como Kenny Burrell e Gil Evans. Em sua trajetória, o maestro trabalhou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro a partir de 1948 como saxofonista e, posteriormente, como arranjador. Foi professor de grandes nomes da música brasileira, entre eles Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola e Airto Moreira, consolidando sua reputação como ponte entre a erudição e a tradição popular.

O álbum Coisas, lançado em 1965, é considerado sua obra-prima, reunindo 10 composições que sintetizam toda sua trajetória artística através da fusão de referências das bandas filarmônicas com jazz bands e a pesquisa na Orquestra Afro-brasileira. Em 1967, Moacir Santos mudou-se para os Estados Unidos, onde continuou compondo trilhas de cinema e lançando álbuns pela renomada gravadora Blue Note, incluindo Maestro, indicado ao Grammy. Em 1985, foi homenageado no 1º Free Jazz Festival. O projeto Ouro Negro, com participações de Milton Nascimento e Gilberto Gil, revisitou sua obra e abriu as portas do maestro para uma nova geração de ouvintes. Moacir Santos faleceu em Los Angeles, em 2006, aos 80 anos, deixando um legado que continua inspirando músicos e estudiosos através de sua estética revolucionária e diálogo entre diferentes expressões artísticas da diáspora africana.

Com informações da Agência Brasil.

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