A polícia boliviana desarticulou uma ‘fazenda de bots’ — estrutura de robôs usada para manipular redes sociais — vinculada ao consultor político argentino Fernando Cerimedo, preso na última semana por tentativa de feminicídio em Santa Cruz de la Sierra. Cerimedo é conhecido por assessorar presidentes de extrema-direita e direita na América Latina, incluindo Rodrigo Paz (Bolívia), Javier Milei (Argentina) e Nasry Asfura (Honduras). No Brasil, ganhou destaque em 2022 ao questionar, sem provas, a lisura da eleição presidencial em audiência no Senado Federal. A revista The Economist o descreveu como ‘o homem do MAGA na América Latina’, em referência ao slogan do presidente Donald Trump.
As fazendas de bots são sistemas automatizados que gerenciam milhares de perfis falsos para simular engajamento genuíno nas plataformas digitais. Segundo Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, essas estruturas funcionam através de contas que repetem expressões, impulsionam hashtags e interagem entre si rapidamente, produzindo artificialmente volume e velocidade nas redes. Alexandre Arns Gonzales, doutor em ciência política pela UnB, explica que essas fazendas exploram o algoritmo das plataformas: ‘São utilizadas para alimentar artificialmente métricas de visualização e engajamento, servindo como instrumento para ataques ou defesas coordenadas de candidatos e temas’. Um exemplo emblemático ocorreu na eleição de 2018, quando uma notícia falsa disseminada por bots alcançou 30 milhões de usuários.
O custo operacional das fazendas de bots é elevado, exigindo grande mobilização de recursos financeiros, materiais e humanos — razão pela qual são mais comuns em períodos eleitorais. Meta e Google as caracterizam como ‘redes de comportamento inautêntico coordenado’. Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha começado a exigir planos de conformidade das big techs que poderiam identificar essas operações, especialistas questionam se as medidas são suficientes. Para Reynaldo Aragon, é provável que diversas fazendas de cliques operem no Brasil, mas o combate eficaz exigiria investigações policiais e ação da sociedade civil, já que as plataformas resistem a uma regulação maior da informação.
Com informações da Agência Brasil.


